Charles Chaplin tinha o dom e toda a razão.
Pessoas passam pela nossa vida, mas nunca se vão sem deixar um pouquinho delas e sem levar um pouquinho da gente.
Passar pode querer dizer tanta coisa.
Meu pai se foi, mas deixou tanta coisa pra mim, aprendi com ele que, por mais que a vida esteja uma droga a gente nunca pode reclamar, porque pelo menos a gente tá vivo, que amanhã vai ser melhor, que eu vou fazer de tudo pra poder acordar uma pessoa melhor. Mas ele também levou muitos dos meus sorrisos, ôo saudade que eu tenho de ouvir as modas de viola que eu não suportava mais nos sábados a tarde, ouvir o barulho da cadeira se movendo pela casa e o chocalho do seu relógio.
Mas pra uma pessoa passar pela gente, ela não precisa necessáriamente morrer, ela só precisa deixar de conviver.
As que considerei amigas, passaram por mim e deixaram muita coisa. Uma deixou o hábito de escrever, de criar histórias totalmente impossíveis e personagens totalmente possíveis. A outra deixou as manias de carregar o mundo sozinha na mochila e as músicas que nunca sairão da memória. Outras e tantas outras, deixaram marcas, umas pequenas outras grandes, umas que me trazem sorrisos e outras lágrimas, algumas são apenas marcas como uma mordida, que fica roxa por um tempo, doi, mas depressa passa. Outras deixam cicatrizes profundas, dessas que nunca se curam. Talvez essas amigas não tenham levado nada de mim.
Ah, pessoas! Por mais que me doa ver elas partindo, indo pra um lugar em que eu não vou estar, sou apaixonada por elas. Apaixonada por esse constante movimento, por essa capacidade incrivel de influência.
Todo mundo se vai um dia, e no dia que eu me for, quero me deixar por inteiro aqui. Quero me deixar em cada um que eu amei, quero os sorrisos que me deram estampados nos rostos, as lágrimas de felicidade que choraram comigo nos olhos, as músicas que gritaram em minha companhia, dançando ao vento felizes mais uma vez.
Não queria ter passado...
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